domingo, 12 de outubro de 2008

18 e 19 de Outubro: Dia Internacional da Alimentação e Dia Internacional da Erradicação da Pobreza (em tom de desabafo)


Esta semana comemoram-se os dias internacionais da Alimentação e da Erradicação da Probreza. Não sei se juntaram aleatoriamente estes dois dias, - e como é que se decide que aquele tem de ser o dia internacional de qualquer coisa? -, mas penso que poderá ser um acaso feliz que permite reflectir durante a fórmula matemática de 24 horas vezes dois sobre fenómenos que permanecem numa latitude paralela às nossas existências de casa-trabalho-casa e que teima em não desaparecer, principalmente porque o nosso modo de vida, por muito que nos custe concluir dessa forma, assenta sobre as dificuldades inerentes a outras realidades sociais onde não se não conhecem outros mecanismos para além da sobrevivência.

Penso que Karl Marx ficaria surpreendido ao constatar que os países onde a fome não é um problema crónico começam a mandar o Adam Smith às urtigas e a injectar liquidez para não permitir que a crise que assola o sistema financeira se alastre como um cancro e diminua a confiança dos investidores. Se a revolução que defendia afinal não é do proletariado, o fim da história é determinado por quem a domina?

Um engodo. O sistema que se alojou no mundo acaba por ser uma falácia em todas as suas facetas.

Todos os dias 800 milhões de pessoas vão para a cama com fome. 300 milhões são crianças e 6 milhões morrem todos os anos antes de chegar aos 5 anos por má nutrição.

E questiona-se sobre o que é que estamos a fazer de construtivo? O Congresso aprovou na semana passada a "injecção" de 700 mil milhões para tentar, - e sim, pode ser apenas uma tentativa -, salvar o sistema financeiro. Para tentar preservar o nosso modo de vida. Para alimentar a especulação. E esquecemo-nos de uma guerra no médio oriente que já perdurou por demasiado tempo e onde também se esvaíram outros milhões num conflito ilegítimo que se adivinha perdido. Mas são apenas exemplos da precariedade das escolhas governamentais. Ou serão mais especulações?

Não creio que seja o princípio do fim para dar início a uma nova era. Mas claro que o poderia ser. Bastariam 50 mil milhões de dólares para erradicar a pobreza e, também, para fomentar o uso de métodos mais eficientes que permitissem a partilha e a preservação dos (poucos) recursos que ainda possuimos.

Aliás, 50 mil milhões é apenas um número. É apenas uma barreira que poderia ser transformada em ponte e, para que tal pudesse acontecer, teríamos de criar uma consciência colectiva a nível mundial que deveria ultrapassar noções como Poder, Nacionalidade, Religião, Língua, Raça, Conflito, Egoísmo Humano, etc etc etc.

Talvez num futuro próximo. Talvez quando o congresso americano se lembrar de aprovar o número mágico de 50 mil milhões para erradicar a pobreza e os políticos europeus decidam agendar brainstormings urgentes para o fim de semana visando a sua resolução definitiva.

Sim, talvez um dia, mas não me parece que seja já já esta semana.

© Carminda Antunes 2008

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